Horizontes partilhados e múltiplos olhares – exposição colectiva

Horizontes partilhados e múltiplos olhares é o nome escolhido para esta exposição colectiva que acolhe trabalhos de seis artistas moçambicanos. Esta mostra, tão diversificada, é o eco de várias vozes e pensamentos que nos desafiam e cativam.

Famós, Júlio Xirinda, Markos P`Fuka, Pekwia, Saranga, e Titos Mucavele encontraram-se para dialogar e reflectir, partilhando horizontes, perspectivas, ensaios e novas técnicas que os levaram a procurar reunir em simultâneo as três grandes condições pictóricas num espaço único de exposição colectiva: as linhas, as formas e as cores. 

Reconhecer a diversidade e o talento deste grupo de artistas de grande destaque e das suas várias expressões artísticas, valorizando suas contribuições individuais e colectivas, é o que a Fundação Fernando Leite Couto propõe a quem visita esta exposição.  

O mundo é uma galáctica de múltiplos sentidos retratado tal como o artista o visualiza.  Seja qual for a forma de representação com que se manifesta, através de esculturas, pinturas, símbolos abstractos ou figurativos, ou qualquer outra, as suas obras são uma consequência da sua vivência em sociedade. 

Famós apresenta-nos os seus desenhos em grafite e técnica mista sobre papel em dinâmicas composições onde as referências regionais são ainda mais delineadas pelos títulos das obras. Eles referem os costumes da sua terra, como é o caso da “Memórias de uma viola de lata” ou dos “Peregrinos de Cabo Delgado”.

Júlio Xirinda aplica cores fortes e intensas onde as figuras aparecem como que por magia, numa densidade e profusão de sentidos para se fundirem numa azáfama de movimento. São mulheres e homens da sua terra numa labuta diária.   

Marcos P ́Fuka acende luzes no fundo do túnel, espanta medos e devolve-nos o calor sensível ao olhar. É um universo multicolor e tenso de feitiço, evocação da saudade do amor e da esperança, evocação de mundos possíveis em que se torna indispensável entrar.

Pekiwa esculpindo em madeiras velhas retrata a alma das suas gentes. As suas obras são pertença de um passado, transformado em futuro. Recolhe histórias do seu povo e representa-o em portas e janelas vividas pelo tempo. São carícias o que grava na madeira.  

Saranga dialoga com o seu mundo que é feito na borda das cores, como que uma visão mítica de um mundo intuitivo e emocional, decorativo espontâneo e até mesmo irracional. Nas suas pinturas sentimos o vigor com que manobra o pincel explorando as diferenças e semelhanças com a realidade. 

Titos Mucavele traz para esta exposição um conjunto de cores que respiram da terra e que evocam sentimentos profundos, remetendo à sua origem junto ao mar do Índico, numa simultaneidade de cores revoltas. Através de temas que exploram a família e a comunidade, onde se adivinham nostálgicos olhares de mulheres, expressa a essência da vida tal como é. São olhares carregados de esperança no amanhã.

Curadora Yolanda Couto

Deixe um comentário