“Memórias Daqui” – exposição de desenho e pintura de Nelsa Guambe

Está patente, de 12 de Fevereiro a 5 de Março, na Galeria da Fundação Fernando Leite Couto, a exposição de pintura intitulada “Memórias Daqui”, da artista Nelsa Guambe e curadoria de Yolanda Couto.

Os dois artistas mostram nas suas obras um mosaico de cores e expressões que convocam a reflexão sobre para as complexidades da condição e das relações humanas.

Em Fred Bulande encontramos o estilo abstrato, com acrílico sobre tela, a expor a complexidade da mente humana, os caminhos que se entrecruzam nesse círculo abstrato que é a vida, com simbologias que variam a cada corpo, cada pensamento e nas comunidades em que se está inserido.

Ao abdicar de elementos que nos associem facilmente ao humano Fred exige ainda mais da nossa mente e do nosso corpo. A força neural das obras que nos apresenta revela uma carga emocional que estará na sorte de cada um ou no seu estado da alma, a interpretação e as sensações. Certo é que a cores, as linhas que se constroem, os padrões, são como trilhas sonoras, ondas magnéticas que formam sinais de vida. É possível que após a sua apreciação fiquem-nos questões existenciais que pouco nos permitimos desenvolver no frenesim dos dias.

Podemos dar o mesmo rumo de leitura às obras de Vovo’s Manhiça. Mas este, mais próximo das fórmulas que nos fazem reconhecer as formas de vida, a metamorfose dos corpos ou a interpretação dos sentimentos a partir da observação dos artistas.

Mas, diferente de Fred, Vovo’s Manhiça tem o sentido de comunidade, concebe o ser humano nos seus diferentes estados e sentimentos, os seus estilos de vida; faz o diálogo entre o ser físico, o corpo, e a o ser transcendental, o espiritual. Por isso associa as figuras humanas com animais, objectos e toda uma paisagem que coloca o sujeito num espaço. Pode ser que seja um sonho, podem ser rituais, pode ser um estado da alma, enfim, a existência e os seus significados.

Em ambos os casos, somos desafiados a encarar a obra, olhar para o interior sem nos descurarmos do outro e dos dramas da vida.

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